Uma nova sociedade em Formation

Formation de uma nova consciência  - ou quando o correto deixa de ser político para ser cotidiano. Por Bárbara Feitosa. 

Ok, pessoal, deixa eu dar uma informação…sim, ela é o assunto do momento novamente. Recentemente, a cantora pop Beyoncé causou mais um frisson ao redor do mundo com o lançamento do seu novo single, “Formation”. A música é uma ode ao orgulho negro, ao empoderamento feminino e uma crítica sem censura a uma parcela corrupta da polícia norte-americana, acusada de cometer injustiças e crimes raciais, especialmente no sul do país, onde existe maior concentração da população negra.

No dia seguinte ao lançamento do novo clip, a diva pop se apresentou no intervalo da partida do Super Bowl 2016, o evento de maior audiência do mundo, em uma performance avassaladora ao lado da banda Coldplay e do cantor Bruno Mars. A cantora foi ovacionada pelo público e criticada por parte da imprensa e autoridades norte-americanas, que julgou a canção desnecessária e uma afronta à instituição policial do país. Sob o argumento de “não haver racismo na América”, foi lançado nas redes sociais o protesto #BoycottBeyonce – sem muito sucesso. O fato é que a cantora, anteriormente criticada por não se posicionar politicamente em defesa do povo negro, escolheu dar uma resposta ao mundo da forma que ela sabe melhor: lacrando!

O momento escolhido por Queen Bey para se posicionar sobre racismo vai ao encontro de outro burburinho causado pelo Oscar 2016. E o motivo não foi nenhuma superprodução cinematográfica. A cerimônia, que acontecerá no próximo dia 28 de fevereiro, não tem atores negros indicados para a premiação e este fato provocou a indignação, de nomes importantes como Spike Lee e Will Smith. A indignação ganhou força na internet e a #OscarSoWhite atingiu aos trending topics do Twitter – não podemos esquecer jamais do discurso de empoderamento da Viola Davis, a primeira atriz negra a ganhar o Emmy na categoria série dramática em 2015, sim 2015. Estamos vivendo a fase do não-silêncio em relação a atos preconceituosos e racistas, e esta atitude reforçada por pessoas influentes, da nação mais poderosa e influente do planeta, pode ser o reflexo de uma transformação que vem acontecendo nesses novos tempos.

Não sou nenhuma astróloga, mãe de santo, cartomante ou algum outro tipo de médium, mas se me permitem, meu trabalho consiste em fazer previsões baseadas no comportamento das pessoas, e é este que me faz observar que este 2016 “promete”. Ainda estamos no segundo mês do ano e já temos “Formation”, #OscarSoWhite, a boneca Barbie finalmente representando diversidade das mulheres no mundo, o cinquentenário dos Panteras Negras, MC Ludmilla dando uma resposta à altura (bem superior, pra dizer a verdade) para um comentário racista sobre seu cabelo, resistência ao uso de fantasias de “Nêga Maluca” no carnaval…além do que estar por vir como a série Brasil: DNA África e a nova temporada do seriado Mr. Brau, esta última protagonizada pelos atores Lázaro Ramos e Taís Araújo, entre outros projetos.

A observação vai além, quando vejo que o número de casais inter-raciais cresce significativamente ao redor do mundo, e dá origem à miscigenação tão rica, bonita e discriminada outrora. Turbantes, dreadlocks, tranças nagôs e rastafáris, adotadas em profusão por mulheres europeias e arianas, #sorryHitler. A globalização é humana e humanizada. Mas aí você deve estar se perguntando, mas que mundo perfeito é esse que só ela vive? Obviamente existe uma longa estrada a se percorrer e o preconceito persiste.

Infelizmente existe aquela galera (bastante numerosa) que tem o argumento de “o mundo está muito chato, não se pode falar mais nada”, desculpem, mas mesmo que não seja a intenção, a tradução da frase é: “Meu preconceito não existia até você chamar a atenção para isso e me incomodar”. Acho até que vai demorar um bom tempo para que estas pessoas, ao virem alguém “de cor”, escondam a bolsa, fujam da praia com medo de arrastão, não contratem para campanhas publicitárias de produtos de luxo, não atendam em lojas caras, e tudo isso que estamos habituados a ver, sumam da humanidade. No entanto, existe uma geração vindo aí, imbuída daquele sentimento de justiça e de se colocar no lugar do outro.

Será o início de uma nova Era, em que o preconceito e a discriminação estão fora de moda? Talvez seja (muito) cedo para dizer, mas certamente não existem mais ofensas sem respostas e defesas – no mundo real e virtual. Felizmente, foi descoberto o significado da palavra empatia, e este vem sendo cada vez mais disseminado. O melhor de tudo é que ela dá origem a algo ainda maior: o despertar da consciência. Esta, uma vez adquirida, só nos leva para frente, é impossível recuar. O poder é nosso! E ele foi finalmente percebido.

Como estamos ainda no clima de carnaval, eu encerro o texto com um agradecimento, parafraseando um samba antigo da Vila Isabel: valeu Zumbi…e Dandara, Benedita, Viola, Candeia, Lázaro, Taís, Pitanga, Beyoncé, Karol Conka, favelas, Spike, Olodum, Madiba, Racionais MC’s, Malcon X, Carlinhos Brown, MC Carol Bandida, Michelle e Barack, Martin Luther King Jr. …e tantos outros. A festa é da raça humana!

Assista o vídeo:

 

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Divulgado no TrendNotes por: Mariana Carvalho

Uma carioca com alma cigana. Viciada em viajar, sente-se em casa em qualquer lugar do mundo. Adora conhecer outras culturas e por conta disso, morou na Austrália, EUA e passou um tempinho na Ásia. Amante das artes, é fotógrafa nas horas vagas, e curiosa por vocação, além de acreditar em sincronicidade e se achar super entendida em astrologia.

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