Rock in Rio 2017: catártico, diverso e colorido

Como a pauta da diversidade vem sendo apresentada de forma leve, divertida e espontânea no famoso festival carioca. 

Parafraseando a querida apresentadora e nutricionista Bela Gil, se nos perguntarem como foi o primeiro fim de semana do Rock in Rio 2017, podemos responder assim: “você pode substituir seu preconceito e homofobia para ganhar bagagem cultural e lição de vida, por exemplo”.

Em uma mesma semana que teve como destaque (questionáveis) movimentos políticos e religiosos que exigiram (e conseguiram!) o cancelamento da exposição sobre diversidade e questões LGBT, “Queermuseu - Cartografias da diferença na arte brasileira” e o lamentadíssimo cancelamento, por questões de saúde, do show da cantora Lady Gaga no Rock in Rio, o evento mostrou ao mundo que está atento à questões de gênero e os artistas brasileiros mostraram que seguram (e muito bem!) essa responsa.

Representatividade importa, e já estamos batendo nessa tecla há algum tempo. Não, não iremos parar! Dados do IBGE indicam que 76% dos brasileiros seguem nesta busca para se reconhecerem nos produtos e serviços que consomem e experienciam. Negros, mulheres e gays ainda são os menos representados devidamente. De acordo com uma pesquisa do Think Eva, lançada em julho passado, as questões de gênero ainda são tratadas embrionariamente pelas marcas.

A hora do show

Ainda que embrionariamente, é preciso começar. E começar com projeção mundial só tende a facilitar o processo e abrir caminho para toda uma turma se firmar e deixar sua marca. Isto aconteceu neste primeiro fim de semana do Rock in Rio, através de uma galera novinha que chegou com tudo.

Começando por Pabllo Vittar, que deu uma prévia de que causaria logo na tarde do primeiro dia, ao fazer um pocket show em um dos stands do evento e causando histeria dos fãs do começo ao fim. Mas o melhor ainda estava por vir. No dia seguinte, eis que a cantora é chamada para uma participação no palco Mundo (principal) para fazer um dueto da música “Sua Cara”, previamente gravada com Anitta, com ninguém menos do que a artista Fergie.

Pabllo é maranhense, tem apenas 22 anos, e passou por inúmeras dificuldades na vida para se manter. Começou a cantar na infância, mudou-se para São Paulo e posteriormente para Minas Gerais, onde foi admitido no curso de Design na Universidade Federal de Uberlândia, que precisou abandonar por conta da agenda de shows. A cantora é homossexual, não é trans, é uma drag queen exclusivamente no palco e não se importa com seu gênero definido, tampouco com o artigo que usam para nomeá-lo, tanto que é referido como A Pabllo, mostrando sua desenvoltura em circular por todas as tribos, representando uma boa parcela ávida por se ver representada.

Já no domingo, foi a hora e vez de um trio mega poderoso composto por Johnny Hooker, Liniker e Almério unirem suas sonoridades incríveis para celebrar o amor e a igualdade através da diferença no palco Sunset.

 

O público já esperava por algo grandioso por motivos de “né? olha o trio que estamos falando!”. Mas passou por uma verdadeira catarse ao ouvir as letras e o discurso, acompanhado de performances incríveis, sobre tolerância às diferenças e repúdio à homofobia.

Conforme constatado, este ainda é um tema que vem sendo debatido há pouquíssimo tempo, talvez de três anos para cá, mas ter artistas que representem um grupo é de vital importância para visibilidade. Além dos citados, cantores como Rico Dalasam, Jaloo, Linn da Quebrada, Banda Os Caramelows e As Bahias e a Cozinha Mineira são grandes contribuidores para o fortalecimento da comunidade LGBTQ. Cada qual com a sua representatividade e seus recortes dentro da classe.

Ainda existe uma longa estrada a se percorrer? Sem dúvida! No entanto, a visibilidade desses artistas “força” a sociedade a aceitar e dialogar sobre as questões de gênero. Por outro lado, esse movimento indica uma exigência social pela aceitação da diversidade e reflete o resultado dos dados de institutos de pesquisa: todo mundo quer se ver representado. Este é o caminho, atentem-se!

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