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Os novos sentidos da moda carioca

CenaRIO Criativo apresentou marcas e profissionais que estão fazendo a diferença no Rio  

Diversidade, empatia e representatividade. Esses temas poderiam ser abordados em um evento sobre moda? O evento CenáRIO Criativo, que aconteceu no dia 13 de julho no lounge da incubadora Rio Criativo, provou que sim. Empreendedores da moda carioca e especialistas no assunto subiram no tablado do último andar do Liceu de Artes e Ofícios (edifício que abriga a incubadora) para debater os impactos sociais e ambientais da indústria.

Mediado pela jornalista Carolina Landi e pela publicitária Bárbara Feitosa (“dois terços” do nosso Trendnotes), o primeiro painel mostrou o que as novas marcas estão fazendo para se engajar socialmente. Participaram do debate Victor Hugo Ramos e Carolina Martins, da Impt Streetwear , a designer Bruna Milan, do Milam Studio, Fabrício Oliveira, da Fowler, e Felipe Piragibe, da NAIAH.

Sim, moda importa

A representatividade social pautou a discussão desse painel. O empresário Felipe Piragibe afirmou ter criado a sua marca Plus Size NAIAH inspirado na dificuldade que a sua mãe tem para encontrar roupas de tamanhos grandes e que tenham um bom design. Ele, no entanto, reconhece que esse não é o seu lugar de fala e comentou a experiência de ouvir o feedback das suas clientes nas redes sociais.

Da esquerda para a direita: Barbara Feitosa, Felipe Piragibe (NAIAH), Carolina Martins e Victor Hugo Ramos e (Impt StreetWear), Fabrício Oliveira (Fowler), Bruna Milam (Milam Studio) e Carolina Landi
Da esquerda para a direita: Barbara Feitosa, Felipe Piragibe (NAIAH), Carolina Martins e Victor Hugo Ramos e (Impt StreetWear), Fabrício Oliveira (Fowler), Bruna Milam (Milam Studio) e Carolina Landi

Já Victor Hugo e Carolina Martins, da Impt Streetwear e Fabrício Oliveira, da Fowler, apresentaram a importância de dar voz, visibilidade e representatividade ao subúrbio carioca através da moda, da cultura de rua e do fomento a projetos de impacto social.

Por fim, Bruna Milan compartilhou a sua experiência com o público LGBTI através do seu projeto de joias agêneras Milan Studio. A designer, que inicialmente desenhava peças pensando em qual gênero poderia usá-las preferencialmente, viu que a demanda não era bem essa. Por esse motivo, ela, que está reestruturando o branding da marca, tem pensado (e estudado) o seu papel como designer e apoiadora da causa.

O desafio da mudança de pensamento

O painel sobre impacto ambiental chamou atenção para as alternativas ao desperdício da cadeia têxtil e o consumo consciente. As engenheiras de produção Manuela Anomal e Taissa Soares tinham em comum a paixão pela costura e resolveram criar ABanda, marca que se enquadra na categoria slow fashion por produzir em peças versáteis (uma saia pode ser dupla face, ou seja, com duas estampas diferentes) em baixa escala e, eventualmente, sob demanda – além de vender direto ao cliente através de feiras e e-commerce.

GRL PWR: Barbara Feitosa, Thais Vieira, Mirella Rodrigues (Think Blue), Carolina Landi, Taíssa Soares e Manuela Anomal (ABanda) e Paloma Barreto (Zahira).
GRL PWR: Barbara Feitosa, Thais Vieira, Mirella Rodrigues (Think Blue), Carolina Landi, Taíssa Soares e Manuela Anomal (ABanda) e Paloma Barreto (Zahira).

Mirella Rodrigues, da Think Blue, falou sobre sua produção com o upcycling de jeans. Com formação em Designer de Moda, atuou como jornalista de moda e fotógrafa de streetstyle em Londres e durante o período que morou fora do país ficou atenta a movimentos de economia circular, voltando ao Brasil com o desejo de participar desta cultura. Em sua jornada, tomou conhecimento dos alarmantes impactos causados pela cadeia têxtil e decidiu criar a sua marca para fazer diferente, destacando o pagamento justo para @s costureir@s que trabalham para a Think Blue, @s quais ela chama de “parceir@s e co-criador@s”.

Thais Vieira, pesquisadora em moda sustentável por meio do Design para inovação social e Doutora em Gestão da Inovação pela COPPE/UFRJ, falou sobre os desafios da sua pesquisa em uma época recente (2010), na qual ainda não se falava tanto do assunto no país. Sua pesquisa, que passou por Londres e Milão, viu não só o potencial brasileiro para a sustentabilidade no setor, mas também a necessidade de que ainda precisa estar aliada à informação para embasar a mudança de pensamento e consciência sobre consumo e descarte.

Graduada em Relações Internacionais e de uma família ligada ao setor têxtil, Paloma Barreto falou sobre os motivos de aliar sua marca de bolsas Zahira à própria história pessoal. Começou com trabalhos voluntários em sua escola, e em paralelo, conheceu uma comunidade quilombola. Soma-se a isso os anos em que morou na Índia, Israel e Alemanha, que a levou a valorizar a cultura indígena de sua família, como o respeito à natureza e ao trabalho.

Vale destacar que esse painel mostrou uma realidade do empreendedorismo nacional – quiçá mundial: o onipresença feminina. <3

O evento foi super bem recebido pelo público, que não poupou perguntas e elogios aos empreendedores participantes, empreendedores estes, aliás, que mostram um novo cenário dentro da lógica da economia criativa: a não concorrência. “Não falamos aqui de uma ode (ainda) utópica da extinção do capitalismo, mas de uma nova maneira na qual o mercado de moda carioca está sendo desenhado. Ao perguntarmos às marcas participantes se existia algum medo de a concorrência copiar suas ideias, todos foram uníssonos: “Não!”. O discurso d@s empreendedores é de que as ideias criadas podem e devem ser copiadas, formando assim uma grande corrente do bem para se expandir mais e mais, até que o mundo seja mudado”, resume Barbara Feitosa, do Trendnotes e mediadora dos debates.

A base vem forte!  

Imagens: Julia Duarte

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Divulgado no TrendNotes por: Carolina Landi

Jornalista carioca com alma de artista e bailarina nas (poucas) horas vagas. Gosta do pop ao erudito, em todos os sentidos e artes. Acredita em empatia e sincronicidade. Curiosa, quer viver várias vidas nessa existência.

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