Olabi oferece curso de moda e impressão 3D no Rio de Janeiro

Já sabemos que a moda pode ter sua cadeia produtiva completamente transformada pelo uso de tecnologias como a de impressão em 3D, ganhando tempo e dinheiro.

Tempo, porque esses equipamentos permitem a construção de protótipos rápidos, para testes de modelagens e mistura de materiais. E dinheiro, porque os projetos virtuais viram objetos impressos que permitem a avaliação para o aperfeiçoamento antes da fabricação definitiva, reduzindo as possibilidades de falhas e desperdício de material causado por vários testes, por exemplo.

Marcas consagradas mundialmente como Chanel e Versace já estão inserindo as impressoras 3D em suas criações, assim como algumas marcas brasileiras também estão vislumbrando possibilidades de inovar.

Sem falar que a mais recente temporada de moda foi mais tecnológica dos últimos tempos, não só em termos de comunicação, mas principalmente em relação à inovação de produtos: a Semana de Moda de Paris teve Data Center da Chanel no Grand Palais, Iris van Herpen desenvolvendo modelos 3D e Hussein Chalayan, em colaboração com a Intel, que desenvolveu roupas que medem o nível de estresse dos usuários.

E essa facilidade não é restrita ao mundo da alta costura ou de criadores profissionais: estudantes e pessoas interessadas ou que trabalham com produção de peças de roupas e acessórios terão acesso a esse tipo de equipamento e materiais, que tendem a ter seu custo reduzido com a popularização da tecnologia.

No Rio de Janeiro, o Olabi (laboratório maker mara localizado em território carioca) oferece o curso Costura High Tech, com foco em moda e impressão 3D, passando também por corte a laser e outras técnicas hi e low tech. O curso conta ainda com a participação super especial da designer israelense Danit Peleg, responsável pelo vestido impresso em 3D da atleta Amy Purdy na abertura das Paralimpíadas, que abrirá o código do processo por Skype.

“Vamos mostrar o que há de novo nessa área, com enfoque em impressão 3D, mesclando com cultura colaborativa do movimento open source e a mass customization”, conta a arquiteta e pesquisadora do Lamo3D – Laboratório de Modelos 3D da FAU – UFRJ, Clarice Rohde, uma das facilitadoras do curso. De acordo com Rohde, os alunos irão experimentar novas formas através de softwares de modelagem, sem necessidade de experiência prévia, e irão prototipar suas ideias em impressoras 3D.

“A ideia é misturar impressão 3D com linha, agulha e tecido, o high e o low, para a criação de um werable 3D. Teremos também uma cortadora a laser para a experimentação de padronagens no tecido, e nesse aspecto, quem tiver conhecimento de modelagem de vestuário poderá experimentar mais a fundo a técnica”, diz. “Estamos com grandes expectativas em relação à exploração formal e às possibilidades que novas tecnologias e materiais trazem, como o filamento flexível, por exemplo. Será um grande laboratório de experimentações onde os resultados dependerão da criatividade e habilidade dos alunos. Estaremos lá para viabilizar essas ideias”.

O curso já teve um módulo, com cinco meses de duração, no primeiro semestre desse ano, que contou com técnicas de crochê, bordado, modelagem digital, impressão 3D, eletrônica e programação de microcontroladores.

“Foi uma profusão de informações que entraram ou não no projeto final. E saíram coisas bacanas como um tênis de bike que dá seta, acionado pela pressão no dedão do pé, e uma fantasia de carnaval (não poderia faltar!) de vagalume que acende com sensor de proximidade”, relata Clarice. “Foi interessante para ver como os alunos se relacionaram com cada técnica, o que funcionou ou não, afinal, a proposta sempre foi de experimentação”.

O novo módulo terá mais foco em modelagem e impressão 3D, de forma a possibilitar um resultado mais sofisticado, com muita exploração formal e experimentação. Para quem se interessar, o curso começa no dia 27 de outubro. Mais informações e inscrição aqui.

Eis alguns exemplos do universo de possibilidades para experimentar diferentes tecnologias…um óculos impresso na 3D e bordado por você, luminárias, esculturas, braceletes…

 

O futuro impresso em 3D*

Independente da área de aplicação da tecnologia de impressão 3D - que já está presente na educação e acessibilidade, na medicina, na engenharia e em várias outras frentes - a inovação tem se mostrado uma ferramenta poderosa na validação de produtos e potencialização de processos criativos, o que no mundo da moda significa empoderar o artista e oferecer as ferramentas necessárias para tornar seus designs mais ousados e, muitas vezes, também mais funcionais.

À medida que esse novo paradigma de produção for se estabelecendo na indústria da moda, a tendência é que as possibilidades se ampliem e que estilistas e designers possam realizar seu trabalho até mesmo dentro de casa.

Um outro dispositivo auxiliar nesse novo modelo de produção também estará cada vez mais presente nos ateliês e fábricas: é o scanner 3D, que permite mapear a anatomia do corpo do cliente para que peças exclusivas sejam produzidas sob medida para maior ajuste e conforto.

Daí surgirá um novo paradigma para competir com a compra de peças em pronta-entrega: voltaremos à prática de encomendar nossas novas aquisições em termos de vestimenta.

Assim como diversos mercados, o da moda já precisa se adaptar às possibilidades das novas tecnologias e incorporar o que de melhor elas podem oferecer. A indústria de roupas e acessórios será transformada e deverá repensar seu modelo de negócio, investindo em inovação e não subestimando o impacto dessa tecnologia no mundo da moda.

*Com informações de Wishbox

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Divulgado no TrendNotes por: Carolina Landi

Jornalista carioca com alma de artista e bailarina nas (poucas) horas vagas. Gosta do pop ao erudito, em todos os sentidos e artes. Acredita em empatia e sincronicidade. Curiosa, quer viver várias vidas nessa existência.

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