Ela usa arte para espalhar a cultura brasileira pelo mundo

Entre o laranja do sertão nordestino e o verde da floresta amazônica, uma mistura de cores vibrantes e traços fortes chamam a atenção no mundo da arte contemporânea internacional. Histórias, lendas, cultura, amor e superação dão vida e cor às obras da artista plástica Luciana Severo. As telas da artista não só encantam e colorem a vida de alguns brasileiros, como também, estão se espalhando pelo mundo a fora. *Por Caroline Rocha

A artista é adepta ao estilo “pop art”. Um movimento artístico que surgiu nos anos de 1960, contrário a corrente do Expressionismo. Nas mãos de Luciana, esse movimento ganhou uma nova cara. A artista, inspirada principalmente no Sertão Central do Ceará, pinta as festividades e a cultura do povo nordestino.

Sua versão de “O Beijo”, de Gustav Klimt

“Eu me inspiro no amor, no cotidiano, no lúdico. Não consigo criar uma obra que não tenha corações, casais, crianças, famílias, borboletas ou florzinhas”, revela Severo.

As cores vibrantes e os traços fortes e pretos contornam os seus trabalhos, fazendo com que as obras tenham uma identidade visual marcante e alegre. De cara, é possível sentir toda a alegria e energia boa dos quadros e do povo brasileiro.

O amor pela arte sempre esteve presente na sua vida. Em vez de pedir bonecas ao Papai Noel, Luciana pedia lápis de cor e canetas para rabiscar, e assim foi até aos 19 anos, quando ela trocou os rabiscos à caneta por tintas e pincéis. E assim, a pintura se tornou um hobby, um refúgio para toda a agitação e caos do dia a dia.

(Imagem: None Mangueira)

Mas nem tudo foi um mar de rosas, ou melhor, um mar de aquarelas na vida de Luciana. Em 2010, ela foi diagnosticada com uma doença autoimune, o Lúpus Cutâneo, a qual convive até hoje. E isso fez com que a vida da pintora dessa uma virada de 180° graus. Seguindo recomendações médicas, ela decidiu ter uma vida mais equilibrada e optou por fugir do estresse da vida nos tribunais e passou a se dedicar exclusivamente ao seu hobby, à pintura em telas.

“Hoje, levo uma vida mais tranquila, feliz e realizada. Fiz da arte meu refúgio, minha cura”, conta a artista.

A doença não tem cura, mas isso não a impediu de seguir adiante com o seu sonho de viver da arte e encher o mundo de cores. “Sei que ninguém é eterno, mas a arte sim. E quero levar cores para a vida das pessoas através dos meus quadros”, disse Luciana que é ciente de sua doença, que agora está em fase remissiva.

Em Manaus, a artista desenvolve trabalhos com crianças no Atelier Infantil Mão na Massa. As obras são expostas a cada três meses e o valor arrecadado com a venda dos quadros dos pequeninos é destinado a projetos sociais e para crianças que precisam de ajuda financeira para tratamento de saúde.

“O meu grande desafio hoje é conseguir abraçar o mundo e ao mesmo tempo manter o Atelier infantil a todo vapor. Sou muito feliz com minhas escolhas”, reverbera.

Ela também criou um blog para falar sobre a arte e mostrar as suas obras, depois abriu uma loja virtual para que todos no Brasil e de outros países possam adquirir suas obras.

Além das fronteiras

Hoje, as obras da artista já passaram por vários estados brasileiros, como Pernambuco, Rio de Janeiro, Amazonas, São Paulo e Rondônia. E em países como França, Finlândia, Itália, Áustria e Estados Unidos.  No dia 8 de setembro, Luciana volta a Itália para exibir algumas de suas obras na ArtExpo 2016, em Milão.

A primeira exposição internacional aconteceu em um dos museus mais importante do planeta: o Louvre, em Paris. Participar, em 2014, do Salon de Arte Contemporânea no Carroseul Du Louvre abriu as portas para Luciana mostrar um pouquinho da vida e das cores do Nordeste do Brasil para o restante do mundo.

Prêmio internacional

Grande fã de Leonardo Da Vinci, Luciana quis universalizar a Monalisa de Da Vinci e inseri-la na cultura brasileira. Para tornar um símbolo da terra, ela optou por fazer a sua Monalisa uma versão tipicamente nordestina, a Maria Bonita. A obra batizada de “Monalisa Cangaceira” foi produzida em 2013 e pertence a uma colecionadora de Fortaleza, Ceará.

A artista foi vencedora do 1º Prêmio Leonardo Da Vinci, na categoria Artista Universal com a obra “Monalisa Cangaceira”. A cerimonia de entrega aconteceu no dia 29 de janeiro, no Palácio de Borghese, em Florença, Itália. Luciana é a primeira brasileira a ganhar o prêmio.

Luciana é de Quixeramobim, Sertão Central do Ceará e terra do líder religioso, Antônio Conselheiro. É casada há 19 anos e tem um filho de 12 anos. Veio para Manaus com a intenção de ficar apenas dois anos, mas se apaixonou pela cidade e decidiu ficar por mais algum tempo.

A verdade é que muita gente sonha em largar a vida agitada e sem tempo, para viver uma vida de aventuras, viagens e amor. E cá entre nós, quem não quer viver a vida trabalhando com o que ama e viajando?

*Caroline Rocha, de Manaus, é colaboradora Trendnotes. <3 

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