Crypton Currency e o caminho sem volta

Na última semana, um assunto entrou para os #trendingtopics mundiais das conversas - virtuais ou de bar. As moedas digitais. Tudo isso porque hackers invadiram os sistemas secretos de diversas empresas em, nada menos do que 74 países e pediram resgates em bitcoins. Os valores não foram divulgados, mas especula-se algo em torno de US$ 600 milhões! Sim, muita grana! *Por Barbara Feitosa

Mas afinal, o que são as moedas virtuais e por que elas valem tanto?

Antes de mais nada, é necessário esclarecer que moedas virtuais, são diferentes de moedas digitais (ou criptografadas). Toda moeda digital é moeda virtual, mas nem toda moeda virtual é digital. Entendeu? Calma, aqui tem uma explicação melhor, dada há 3 anos pela TV Folha.

De lá pra cá, essas moedas ganharam mais importância, a ponto de fazer com que a Receita Federal do Brasil, incluísse, desde 2016, um campo de moedas digitais na declaração de Imposto de Renda.   

Surgimento e popularidade

A história deste novo dinheiro, data de 1998, quando o programador Eric Hughes publicou o “Manifesto Cypherpunk” (confira o manifesto original aqui), que dava a ideia de descentralização do dinheiro e do surgimento de um novo sistema econômico mundial. Inspirados pela “revolução digital” de Hughes, diversos programadores ao redor do mundo, se contagiaram com este novo movimento anárquico e criaram moedas digitais. A mais famosa delas? Sua majestade, o Bitcoin.

Criada em 2008, quando começou a crise econômica mundial, através de um relatório publicado na internet por Satoshi Nakamoto - um personagem de rosto desconhecido (mas certamente trilionário!), que muitos dizem se tratar de um pseudônimo. O nome vem do conceito de cryptcoins (criptomoedas). A moeda digital foi criada nos ideais do Manifesto Cypherpunk, de forma a garantir um comércio protegido e o anonimato dos dados dos usuários, através de chaves criptográficas. Com o sucesso, surgiram outras na esteira.

De acordo com o Coinmarketplace - site que é uma espécie de bolsa de valores das criptomoedas - existem mais de 100 variações no mundo, com o Bitcoin ainda liderando, seguido pelo Litcoin, FCLFHC, Reddcoin e muitos outros. Neste cenário, destacam-se a Sexcoin (usada exclusivamente para a indústria pornográfica) e a Worldcoin, esta última ainda em desenvolvimento, há relatos de que os criadores esperam a população estar preparada para o lançamento e a total revolução que ela trará.

Lado B

Sim, como todos os grandes inventos da humanidade, existem pessoas que utilizam as moedas criptografadas para causas nada nobres. Em 2013, o mercado virtual Silk Road enxergou a oportunidade do anonimato para comercializar drogas, funcionou por dois anos, até que as autoridades americanas descobrissem todo o esquema e prendessem o dono, além de fechar a loja.

No entanto, em meados de abril deste ano, Rodrigo Batista, CEO da Mercado Bitcoin, explicou, em uma palestra do TedTalks, o quanto é infinitamente mais difícil cometer qualquer tipo de ato ilícito no universo das moedas criptografadas. “Quem participa do meio foi percebendo, com o tempo, que ele é uma péssima ideia para ser usado para atividades ilegais, tanto que o Banco Central da Inglaterra, em dezembro do ano passado, publicou um relatório em que eles classificam doze formas em que o dinheiro pode ser usado para lavagens de dinheiro…entre cassinos, bancos e cash…na classificação do Banco, o Bitcoin é a forma mais difícil e menos provável de ser usada para este fim, porque as transações ficam gravadas de forma digital para sempre, se houver um ato ilegal ele estará registrado, tudo que um investigador precisa”.

Impacto

Embora muitas tendências apresentadas aqui mostrem um resgate à vida em um ritmo mais lento e a chegada de uma economia mais circular, o dinheiro ainda precisa existir. Essas novas moedas criptografadas, apontam uma nova forma de processar o dinheiro. “O dinheiro quando foi pensado, ele surgiu para facilitar a troca, mas ele partiu de dois pressupostos: primeiro, de que só existiria um dinheiro, logo um único sistema monetário; segundo, que as pessoas tinham reputação”, disse Helena Margarido, sócia do escritório SuM Law e co-fundadora do Instituto Bitcoin Brasil, em palestra do TEDTalk. A história mostra que existiram muitas nuances entre essa invenção e os dias atuais, porém as novas moedas podem mudar isso.

A ideia é que todas as moedas de troca, sejam colocadas em um sistema monetário único. Daí a existência do Blockchain - o sistema de registros, que garante a segurança das operações das crypto currencies. Ou seja, torna-se totalmente inútil a existência de instituições bancárias e autoridades competentes. Alguns dizem que é a destruição do capitalismo selvagem e do sistema bancário. Sobre isso, ainda é cedo para dizer, talvez eles se adaptem ao novo sistema, mas é impossível ignorar a existência desse novo dinheiro e isso ficou óbvio desde a última semana.

As moedas digitais se valorizam a cada dia, em janeiro deste ano pesquisas mostravam que só o Bitcoin era responsável por 200 mil operações por dia, em todo o mundo. De acordo com o Correio Braziliense, no Brasil, as negociações saltaram de R$35 milhões, em 2015, para R$90 milhões, em 2016. A valorização das moedas digitais, é ainda maior é países com (ou na iminência de) recessão, em suma, quase o mundo todo!

O que os entusiastas e usuários dessas novas moedas propagam a é que ela tende a tornar o mundo melhor por fatores como facilidade, não uso de intermediários e quase total impossibilidade de corrupção. É provável que a nova revolução - não sabemos se do capitalismo, mas certamente social - comece por esse sistema. Vamos acompanhar e nos atualizar 😉

 

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