idosos radicais - crédito vladimir yakovlev

Let’s be young! A vez dos “sem-idade”

Depois dos sem-gênero e dos millenials, o público que vem atravessando a terceira (quiçá quarta) idade de forma ativa socialmente vem se firmando como a próxima aposta das marcas e movimentos culturais. 

“Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem” o verso da música “Aquela dos 30”, da cantora Sandy, pode embalar o começo desse texto para refletirmos sobre idade e comportamento esperado (por quem?) de acordo com o número que ela apresenta.

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Personagens Bibi e Aurora em um baile funk, cena da novela “A Força do Querer” (reprodução)

Para falar em comportamento, muitas vezes as faixas etárias são enquadradas em determinado estereótipo e os termos se propagam. Das gerações Y à Z, passando por betas e millenials, existe um sem número de supostas “gerações” mercadologicamente pré-determinadas, mas que verdade seja dita, muitas vezes mal se enxergam “enquadramentos”. Esse é o ponto! Assim como a tendência crescente de agêneros, vemos surgir o crescente movimento dos sem-idade, em tradução livre do inglês ageless

Iris Apfel - garota propaganda da M.A.C, Kate Spade, Alexis Bittar...com documentário (no Netflix) dirigido por Albert Maysles. Foi dona da fábrica de tecidos Old World Weaves, que renovou museus americanos e a Casa Branca. Foi tema de exposição no MET , em 2005, Rare Bird of Fashion, com exposição de suas peças particulares Joni Mitchell para Saint Laurent e Joan Didion para Céline.
Iris Apfel – garota propaganda da M.A.C, Kate Spade, Alexis Bittar…com documentário (no Netflix) dirigido por Albert Maysles. Foi dona da fábrica de tecidos Old World Weaves, que renovou museus americanos e a Casa Branca. Foi tema de exposição no MET, em 2005, Rare Bird of Fashion, com exposição de suas peças particulares.

Desde 2007, o “movimento” vem sendo nominado dessa forma por alguns profissionais de tendências para falar de pessoas acima de 50 anos que apresentavam comportamento “jovial”, ou seja, diferente do pré-estabelecido socialmente até então – caiu o ideal de terceira idade de Dona Benta, a famosa personagem do Sítio do Pica Pau Amarelo, de Monteiro Lobato. Mas foi somente a partir de 2011 que se começou a falar um pouco mais sobre o assunto, assim como aumentou a presença de diversas personas, personagens e personalidades em evidência, todas ignorando suas datas de nascimento. Viva!

Em 2016, o termo ganhou a nova alcunha de Perennials. Nomeado pela chefe de conteúdo do site The What, Gina Pell, o termo foi inspirado na palavra inglesa perenne (permanente) e é atribuído a pessoas de todas as idades que circulam e fazem um intercâmbio com todas as faixas etárias. O negócio é viver o presente. Basta uma olhada mais atenta (deixa com a gente ;D) para nos mostrar que isto faz todo sentido.

Constanza Pascolato para a Chilli Beans
Constanza Pascolato para a Chilli Beans

Olhando para trás, em um recente passado, de três anos no máximo, é possível lembrar de meninas de 18 anos pintando o cabelo de branco – no melhor estilo Tempestade, dos X-Man; o endeusamento (merecido) de Iris Apfel, a estrela influencer nonagenária; saias mídi e plissadas reverenciadas por blogueiras de 20 anos; segredos de beleza natural resgatados de 100 anos atrás; Vivienne Westwood desfilando para sua própria marca e blogs de street style dedicados à despadronização de idade, como o Advanced Style (que já rendeu até documentário no Netflix). Ao levar a memória um pouco mais longe, podemos lembrar dos primórdios do Youtube e as estrelíssimas Maria Alice Vergueiro, com seu fatídico “Tapa na Pantera” e de Cris Nicolotti com sua singela canção “Vai tomar no c*”.

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O aumento da expectativa de vida e das novas percepções de qualidade de como vivê-la contribuíram e muito para a longevidade e a mudança comportamental. Sai o chinelo e entra o tênis de corrida, nem que seja para correr atrás de mais dinheiro…sim, o fator econômico existe e também tem forte  influência no comportamento social. Mas a mudança de paradigmas vai além disso.

Atualmente, seja em uma conversa numa mesa de bar ou almoço de família, as palavras mais usadas são: sororidade, diversidade e representatividade. Não à toa. Trata-se de um clamor por libertação, para ser quem se é. Como prova de que as “aparências” não contam tanto para esta turma é que, mesmo para as pessoas com padrões de vida estáveis (e são muitos!), as marcas exercem pouca influência. As pessoas querem se enxergar, se sensibilizar e se solidarizar. Não se vive eternamente de aparências, ou melhor, de aparências artificiais.

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As palavras chave são autoconhecimento e segurança. Saber circular em todas as áreas e entender que a galera ageless tem como inspiração de Constanza Pascolato à Mc Carol de Niterói é o segredo. M.A.C, Céline, Kate Spade, Saint Laurent já se atentaram a isso. Aqui no Brasil, o SuperMarket sabiamente já faz isso desde 2010, com sua adorável garota propaganda Cora Zobaran. Mais recentemente, a campanha #velhapra, da Natura, trouxe o questionamento do estereótipo de que a mulher está “velha para” fazer determinada atividade.

supermarket

natura

Marcas queridas, atentem-se! É o momento do pleasure grower e sem medo. Estamos aqui para ajudar vocês. 😉

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Divulgado no TrendNotes por: Barbara Feitosa

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